quarta-feira, novembro 26, 2008

Vampiros Teen

Crepúsculo é o primeiro volume da série de quatro livros escrita pela americana Stephanie Meyer. Lançado em 2005 nos EUA, o livro é um sucesso absoluto de vendas e já chegou a marca de 5 Milhões de exemplares em todo mundo, além de ocupar por vários meses o topo da lista dos mais vendidos de jornais importantes como o The New York Times e o Wall Street Journal, e ainda foi nomeado o livro da década pela Amazon.com.

O livro narra a história de Bella Swan, que se muda de Phoenix para a melancólica Forks, para viver com o pai divorciado. E passa por toda adaptação quando alguém se muda para um lugar novo, nova escola, novos colegas, tudo isso contado em primeira pessoa, em tom de confidência ao leitor, como se fosse um diário.

Na escola ela conhece o misterioso Edward, e fica fascinada pela beleza do rapaz, mas ele sempre sombrio não dá a mínima. Mas um incidente acaba os aproximando e Bella passa a investigar o rapaz, o que ela não esperava é que se apaixonaria por um vampiro.

Crepúsculo não é um livro ruim, é um romance bem escrito, movimentado e envolvente, mas quem está acostumado com vampiros sensuais e sedentos por sangue dos livros de Anne Rice, pode se decepcionar, pois as criaturas idealizadas por Meyer andam normalmente a luz do dia, só bebem sangue de animais e são um tanto castos demais. Afinal de contas trata-se de um romance adolescente, para adolescentes.

O romance foi adaptado paro o cinema recentemente pela diretora Catherine Hardwicke (Aos Treze) e apenas no primeiro fim de semana faturou mais de 70 Milhões de Dólares. O dobro do seu modesto orçamento, sendo que arrecadou 35 Milhões somente no primeiro dia de exibição. A produção estréia no Brasil dia 18 de Dezembro e também não deve fazer feio por aqui. A gorda bilheteria fez com que a continuação Lua Nova (já lançada por aqui) tivesse sinal verde e o roteiro já está sendo escrito.
Clique aqui para ler o primeiro capítulo de Crepúsculo.
Clique aqui para assistir ao trailer do filme (Legendado)
Clique aqui para acessar o site brasileiro da série.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Levemente Inferior

A escolha de Daniel Craig para interpretar 007 causou muita polêmica desnecessária, a maior bronca era por terem escolhido um Bond loiro com cara de poucos amigos. E ainda mais os produtores reiniciaram a série a partir do primeiro livro de Ian Fleming. Mas após a estréia de Cassino Royale muitos dos que criticaram acabaram morrendo de amores pela “reinvenção” do personagem que o tornou mais humano.

E a maior surpresa da seqüência foi a escolha de Marc Forster, diretor conhecido por filmes sensíveis e dramáticos como Em Busca da Terra do Nunca e o recente O Caçador de Pipas, mas o diretor não decepcionou nas cenas de ação, mas o grande problema do filme é o roteiro insosso escrito por Paul Haggis (Crash, No Vale das Sombras), Neal Purvis e Robert Wade (autores do roteiro de Cassino Royale).

Quantun Of Solace (a distribuidora não conseguiu uma tradução decente) inicia alguns minutos depois dos eventos de Cassino Royale, é a primeira vez em que um filme da série tem uma continuação direta. E já começa movimentado, somos tomados por uma eletrizante perseguição de carros na Itália antes dos já tradicionais créditos iniciais com silhuetas femininas, ao som da fraca Another Way to Die escrita por Jack White do White Stripes e interpretada por ele e Alicia Keys.

Após a perseguição presenciamos o interrogatório do Sr. White (Jesper Christensen) para saber para quem ele trabalha, mas como em todo filme de James Bond há uma traição e M (Judi Dench, interpretando a personagem pela sétima vez) quase é assassinada. Então o agente descobre pistas que levam a Dominique Greene (o francês Mathieu Amalric), empresário envolvido com filantropia, mas com intenções nem um pouco nobres.

O grande defeito de Quantum of Solace é a sua trama, demasiadamente focada no desejo de vingança de Bond que acaba se tornando enfadonha e o filme se sustenta nas eletrizantes cenas de ação ao redor do mundo. E como em todo filme da série não podia faltar uma bela Bond Girl, Camille (a Ucraniana Olga Kurylenko) uma mulher forte e que também busca sua própria vingança. Apesar dos problemas é um filme divertido, mas levemente inferior a Cassino Royale.

quinta-feira, novembro 06, 2008

Romance Maduro

Noites de Tormenta é baseado em um romance do escritor americano Nicolas Sparks, também autor de obras como o belo Diário de Uma Paixão e do cultuado Um Amor Para Recordar. Estrelado por Richard Gere e pela sempre bela Diane Lane, o casal volta a contracenar alguns anos depois do terrível Infidelidade.

O filme segue a estrutura de intercalar as histórias dos protagonistas antes de se encontrarem sem revelar muitos detalhes, primeiro conhecemos Adrienne (Lane), uma dona de casa recém divorciada com dois filhos, que enfrenta problemas com a filha adolescente que não aceita a separação dos pais. Depois conhecemos o também divorciado Paul (Gere), um médico frio e egoísta de mal com o mundo que está passando por uma crise.

Os caminho dos dois acaba se cruzando quando Adrienne toma conta de uma bela pousada à beira mar por um fim de semana enquanto sua amiga está fora e seus filhos estão com o pai e tem como único hospede Paul. Os dois vão conversando, se conhecendo e durante uma noite de tempestade acabam, você sabe como, não preciso contar mais nada.

O filme é um romance maduro e bem açucarado, tem uma história envolvente, mas sem muitas surpresas, os protagonistas têm uma ótima química. A fotografia é deslumbrante, cortesia do brasileiro Afonso Beato, que aproveita muito bem as belas paisagens da Ilha de Rodanthe no estado da Carolina do Norte.

O final pode decepcionar os espectadores mais conservadores, mas Noites de Tormenta não deixa de ser um filme agradável, um bom passatempo. Especialmente para os fãs de bons romances água com açúcar. E um último conselho não esqueça de levar o lencinho.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Caos Branco

Ensaio Sobre a Cegueira é uma adaptação cinematográfica do livro homônimo escrito pelo português José Saramago. Muitos consideravam a obra como impossível de se filmar, pela complexidade do texto, mas o brasileiro Fernando Meireles encarou a tarefa e provou o contrário, dirigindo um filme excelente.

Tão bom que foi aprovado até pelo autor do livro, ele inclusive chegou a declarar que agora sabia como são os rostos dos personagens que havia criado. Um dos aspectos mais interessantes da fita é que nada tem nome, nem o lugar onde a estória se passa nem os personagens.

O filme se inicia com um personagem (Yusuke Iseya) perdendo a visão no meio do trânsito, ele é levado pra casa por um desconhecido (Don McKellar, também autor do roteiro) e consulta um oftalmologista (Mark Ruffalo) que não detecta nenhuma causa para a perda repentina da visão e não demora pra que esse surto passe a atacar o restante da população. Sem distinções, exceto uma pessoa, a mulher do médico (Juliane Moore, excelente) que finge não enxergar para poder acompanhar o marido. O mais curioso disso tudo é ao invés de negra como a cegueira normal, os afetados enxergam tudo branco.

Então o governo coloca os infectados em quarentena, numa espécie de manicômio desativado para que a doença não se espalhe ainda mais. Imagine um local fechado repleto de gente que não enxerga nada, sem banho, nem condições de higiene. Não demora muito para que surjam também os conflitos, o arbitrário Rei da Camarata 3 (Gael Garcia Bernal) tenta dominar os outros pavilhões, pois conseguiu se apossar de todo o estoque de mantimentos e chantageia os outros internos.

A situação chega ao ponto de exigir que todas as mulheres façam sexo com ele e seus companheiros em troca dos mantimentos, uma das cenas mais perturbadoras do filme, mesmo suavizada após reclamações do público nas sessões teste, não perdeu o impacto.

Um outro ponto que deve ser destacado na produção é a ótima fotografia de César Charlone, que já havia trabalhado com o diretor em Cidade de Deus. Ora desfocada, ora em tons em branco e cinza, esses efeitos acabam ofuscando o expectador e dando a sensação de desconforto e empatia com a dificuldade dos personagens. Sem dúvida, Ensaio Sobre a Cegueira é um dos melhores filmes do ano.