quinta-feira, dezembro 07, 2006

Cheiro de Oscar

Martin Scorsecese nunca levou um Oscar, uma tremenda injustiça. Tudo levava a crer que o excelente “O Aviador” iria corrigir esse deslize da academia, não foi dessa vez. As indicações serão reveladas em janeiro e não será surpresa que “Os Infiltrados” seja um dos campeões das indicações principais, quem sabe dessa vez Scorsese leve a melhor. O filme é uma refilmagem de um filme de Hong Kong chamado “Infernal Affairs” (2002), que por aqui foi batizado de “Conflitos Internos”, só foi trocado o local da ação, esse se passa em Boston.
Os Infiltrados é um filme intrigante, intenso, violento dentre outros tantos adjetivos. A estória gira em torno de Colin (Matt Damon), garoto pobre descendente de irlandeses, que é digamos assim “adotado” pelo chefão da máfia de Boston Frank Languella (Jack Nicolson, excelente) que paga seus estudos, e faz com que ele ingresse na força policial e se infiltre. Já Bill (Leonardo DiCaprio, cada vez melhor) é um jovem policial, marcado pela violência e que recebe a ingrata missão de se infiltrar na gangue de Frank. Os dois cresceram no mesmo bairro, trabalham na mesma corporação, mas não se conhecem. E terão que descobrir a identidade um do outro.
E acredite o filme não é tão simples assim, a trama é bem complexa e cheia de reviravoltas, o que o deixa ainda mais interessante e o final é digamos assim surpreendente, irônico. Destaque para a trilha sonora, formada basicamente por grandes nomes do Rock dos anos 70 como Pink Floyd, Rolling Stones, Beach Boys e a desconhecida Dropkick Murphys que mistura guitarras pesadas com instrumentos irlandeses (alusão a origem dos personagens), deixando a trilha ainda mais deliciosa.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Magnífico!


Os pingüins estão na moda, ano passado roubaram a cena na animação Madagascar e o documentário francês A Marcha dos Pingüins, que mostra o ciclo de reprodução e migração dos pingüins imperadores, foi uma das maiores bilheterias de 2005 nos EUA e na França, além de levar o Oscar de melhor documentário, e com Happy Feet não está sendo diferente, a animação ocupa o primeiro lugar nas bilheterias americanas há três semanas consecutivas, desbancando pesos pesados como Cassino Royale, o novo 007.
O filme bebe na fonte de Moulin Rouge, onde músicas de sucesso são interpretadas pelos personagens e já inicia com a canadense K. D. Lang interpretando a bela versão de “Golden Slumbers” dos Beatles mostrando as belas e brancas paisagens do pólo sul e por aí vai, os números musicais são bem variados e músicas de artistas consagrados como: Elvis (Heartbrake Hotel), Queen (Somebody To Love), Prince (Kiss), dentre outros, pois cada um tem sua canção e desde a saída do ovo, é treinado para interpretá-la, menos Mano (Elijah Wood no original e Daniel de Oliveira na versão dublada), que não consegue emitir nenhuma nota, em compensação sapateia como ninguém, gerando preconceito e indiferença da colônia e decepção para os pais Norma (Nicole Kidman) e Menphis (Hugh Jackman), nas suas andanças ele encontra outra colônia de outra espécie, que são menores e não são muito chegados a cantoria, e se envolve com uma divertida gang de pingüins latinos (!) que o mostram que ser diferente não é tão ruim assim. Outro ponto interessante é a mensagem ecológica passada pelo filme e para os pingüins, a espécie humana são alienígenas que poluem e levam embora os peixes.
A animação é de cair o queixo, algumas seqüências não parecem terem sido geradas por computação gráfica de tão próximas a realidade, as cenas de ação são frenéticas e muito tensas, onde os personagens tem que escapar de predadores como focas e orcas, sempre retratados em outros filmes como animais amigos e fofinhos aqui mostram sua face selvagem. O único pecado de Happy Feet é a dublagem brasileira, é incrível como a versão brasileira sempre tem que escalar atores famosos, sempre globais, na maioria das vezes sem nenhum talento para dublagem como o fiasco Sidney Magal, que substitui Robin Willians no original, lamentável.