quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Esqueça o Filme

Publicado em 1995, A bússola de ouro é o primeiro volume da premiada trilogia Fronteiras do Universo escrita pelo inglês Phillip Pullman e completada com A Faca Sutil e A Luneta Âbar. O autor e os livros ainda hoje são alvo de polêmica, por colocar a Igreja Católica como a vilã da fantasia, enfim uma tremenada heresia.
A saga se passa em universo paralelo, onde os seres humanos possuem daemons ou dimons, nessa nova tradução. Esses dimons são uma espécie de manifestação viva da alma das pessoas, e são sempre representados como um animal. Eles representam também a personalidade da pessoa, o das crianças, por exemplo, podem mudar de forma sempre que quiserem, mas atinge uma definitiva no início da puberdade, quando a personalidade começa a se formar.
Essa primeira parte narra o início da saga de Lyra Belaqua e seu dimon Pantalaimon, uma órfã criada na Universidade de Oxford. O seu único parente vivo é Lord Asriel, mas ela tem pouco contato com ele, pois ele vive viajando. Lyra passa seu dia aprontando travessuras na universidade, subindo em telhados e brincando com outras crianças. Um dia ela recebe a visita da elegante Senhora Coulter, que a convida para viver com ela, mas antes de partir o reitor da universidade a presenteia com uma aleitômetro, uma espécie de bussola repleta de símbolos que respondem a qualquer pergunta que se faça. Mas não é tão fácil ler essas informações, há que se estudar muito para interpretar esses símbolos corretamente, mas Lyra é uma espécie de predestinada para aquela função.
Em Oxford e em outros lugares, as crianças estão desaparecendo misteriosamente, e quando seu melhor amigo some, ela resolve sair à procura dele e acaba iniciando uma jornada até o gelado norte. No caminho irá encontrar Gipcios (ciganos), bruxas, ursos de armadura. O que ela não sabe é que essas crianças estão sendo usadas como cobaias em terríveis experiências, patrocinadas pelo Ministério (Igreja Católica).
O livro é muito mais interessante que a versão cinematográfica estrelada por Nicole Kidman e Daniel Craig. No filme, toda a polêmica do texto foi deixada de fora, vários personagens foram excluídos, tramas interessantes foram excluídas e o roteiro foi tão enxugado que acabou se tornando a adaptação confusa e cansativa, virando um amontoado de bons efeitos especiais. Além disso, o dois últimos capítulos foram deixados de fora, e farão parte de A Faca Sutil, isso se esse um dia sair do papel. Já que a recepção do público e da crítica foi morna e a bilheteria ficou bem abaixo do que o estúdio esperava.