sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Intrigante!


A mágica está em alta em Hollywood. Dois filmes sobre o mesmo assunto lançados quase simultaneamente. O Grande Truque é o “primo rico” de O Ilusionista, pois ao contrário do segundo teve um orçamento mais generoso e foi lançado por um grande estúdio. Enquanto o segundo mais modesto, mas nem por isso inferior é fruto do cinema independente, conta com menos recursos, mas com muitas qualidades. Ambos os filmes tem vários pontos em comum, ótimo elenco, se passam no final do século 19, enfocam o fascínio das pessoas pelo ilusionismo, mas diferem na questão roteiro, enquanto O Grande Truque enfoca a rivalidade e obsessão de dois mágicos em superar um ao outro, O Ilusionista discorre sobre um amor proibido.
O filme é baseado no conto Eisenheim, O Ilusionista, do escritor Steven Millhauser e gira em torno de Eisenhein (Edward Norton), rapaz pobre que na infância encontra um ilusionista viajante e se encanta pelo ofício; mas essa não é sua única paixão, ele também nutre um amor pela nobre Sofia (Jessica Biel), que é correspondido, mas a família da moça não permite o romance e os dois acabam sendo separados. Anos se passam e somos transportados a Viena. Agora Eisenhein é um famoso ilusionista e durante uma apresentação com a presença do ambicioso príncipe Leopold (Rufus Sewell, com mais um vilão no currículo) reconhece seu amor de infância, mas ela está noiva do príncipe, daí nasce a rivalidade entre os dois. Fazendo com que o ilusionista passe a ser seguido e vigiado de perto pelo inspetor Uhl (Paul Giamantti, excelente como sempre), uma espécie de serviçal, que busca de qualquer maneira de desmascarar e prender Eisenhein e tira-lo da jogada.
A partir daí acontecem traições, morte, reviravoltas e um final incrível que você poderá até descobrir antes da hora, mas não vai deixar de surpreender com o desfecho da estória.
O Ilusionista teve apenas uma indicação ao Oscar, na categoria Fotografia, aliás merecida; enquanto O Grande Truque teve duas; foi indicado à categoria de Melhor Direção de Arte e disputa com O Ilusionista a categoria de Melhor Fotografia. Que vença o melhor.

sábado, janeiro 27, 2007

Retrospectiva 2006 - Os Melhores e os Piores do ano que termina.


Há dias estou com essa idéia na cabeça, 2006 acabou e tive vontade de fazer um balanço de tudo que eu vi esse ano e fazer um breve comentário sobre cada um.
Por isso fiz essa lista com os melhores e os piores do ano, na minha humilde opinião.
Abaixo os 20 filmes que mais gostei esse ano:

1º - Piratas do Caribe 2 - O Baú de Morte (Sem dúvida, o filme pipoca mais divertido e lucrativo do ano, que venha a terceira parte, que tem o título de O Fim do Mundo)
2º - Match Point - Ponto Final (Excelente roteiro e um final surpreendente e amoral, mais informações leia a crítica abaixo)
3º - Munique (Realista, extremamente violento, um Spielberg totalmente diferente)
4º - Os Sem Floresta (Engraçado, crítico e com mensagens edificantes e educativas no final)
5º - Carros (Animação impecável, de encher os olhos e roteiro repleto belas de lições)
6º - Os Produtores (Refilmagem do clássico "Primavera Para Hitler" de Mel Brooks, sucesso nos palcos da Broadway, uma das melhores comédias do ano)
7º - Cassino Royale (Um Bond humanizado, totalmente diferente do que estamos acostumados)
8º - Johnny & June (Boas atuações, boa música e uma história de amor real e fascinante)
9º - V de Vingança (Adaptação impecável dos quadrinhos escritos por Alan Moore, corajoso que prega a liberdade acima de tudo)
10º - O Grande Truque (Roteiro intrigante como um passe de mágica)
11º - Os Infiltrados (Tenso e muito violento. Será dessa vez que Scorcese leva o Oscar?)
12º - Happy Feet (Outra animação perfeita, extremamente bela e realista )
13º - Vôo United 93 (Filme corajoso, tenso, triste e de um realismo impressionante)
14º - A Era Do Gelo 2 (Superior ao primeiro filme, mais um caso em que a continuação é melhor que o original, que já era excelente)
15º - O Plano Perfeito (Filme de assalto extremamente inteligente e com um elenco impecável)
16º - O Diabo Veste Prada (Veneno puro, deve surpreender no Oscar deste ano)
17º - Tudo Pela Fama (Comédia de humor negro que satiriza os reality shows de forma engraçadíssima, com direito a altas doses de sarcasmo, os americanos não entenderam a piada, foi mal nas bilheterias e acabou sendo lançado direto em DVD por aqui).
18º - Separados Pelo Casamento (Mesmo sendo vendido de forma errada, de comédia romântica não tem nada, é uma verdadeira aula de como manter um relacionamento e um alerta para as pequenas coisas que faz com que ele se desgaste e acabe)
19º - Missão Impossível 3 (A presença de J. J. Adams deu um novo fôlego para série, sem dúvida o melhor capítulo, pena que os resultados financeiros ficaram abaixo do esperado, acabando com as esperanças de um quarto capítulo)
20º - Superman Returns (Brian Singer ficou entre a cruz e a espada, realizar seu sonho profissional ou tocar a lucrativa franquia mutante, o coração falou mais alto e ele acabou decidindo por Superman e não fez feio)

Os desperdícios de tempo e película do ano

1º - Selvagem (Merecido fracasso. Roteiro fraco, chato, afogado em clichês e repleto de piadas sem graça que não funcionam)
2º - A Casa do Lago (Nem o competente casal de protagonistas consegue do tirar a sensação de lugar comum, resultando em filme aborrecido e previsível)
3º - Jogos Mortais 3 (Apesar de ter bons momentos e explicar algumas pontas soltas dos capítulos anteriores, o filme não decola, além de ser o mais violento e apelativo dos três)
4º - Brokeback Mountain (Bastante ousado, mas o filme é muito arrastado e é bem difícil ficar acordado o filme inteiro)
5º - Abismo do Medo (Muito elogiado pela crítica, uns disseram ser o melhor filme de terror desde Alien, mas não vi muita graça não, um grupo de mulheres, presas em um caverna atacadas por monstros cegos muito parecidos com o Gollum, sedentos por carne humana. Eca!)
6º - A Cor de um Crime (Drama racial com toques de suspense, que não chega a lugar nenhum, uma bomba. Foi eleito o pior filme do ano pelos críticos americanos, mereceu)
7º - Capote (A atuação de Philip Seymor Hoffman como Truman Capote é genial, mas o filme é muito mas muito chato, altamente indicado para quem sofre de insônia)
8º - Instinto Selvagem 2 (Tentativa apelativa e frustrada de alavancar novamente a carreira de Sharon Stone com uma continuação tardia, desnecessária e sem graça nenhuma)
9º - A Profecia (O mundo não precisava de um refilmagem do clássico de Richard Donner, feito às pressas somente, com um elenco inadequado, somente para aproveitar a data 06/06/2006 e faturar alguns trocados, lamentável)
10º - Miami Vice (Violento, estiloso e muito ruim)




quinta-feira, dezembro 07, 2006

Cheiro de Oscar

Martin Scorsecese nunca levou um Oscar, uma tremenda injustiça. Tudo levava a crer que o excelente “O Aviador” iria corrigir esse deslize da academia, não foi dessa vez. As indicações serão reveladas em janeiro e não será surpresa que “Os Infiltrados” seja um dos campeões das indicações principais, quem sabe dessa vez Scorsese leve a melhor. O filme é uma refilmagem de um filme de Hong Kong chamado “Infernal Affairs” (2002), que por aqui foi batizado de “Conflitos Internos”, só foi trocado o local da ação, esse se passa em Boston.
Os Infiltrados é um filme intrigante, intenso, violento dentre outros tantos adjetivos. A estória gira em torno de Colin (Matt Damon), garoto pobre descendente de irlandeses, que é digamos assim “adotado” pelo chefão da máfia de Boston Frank Languella (Jack Nicolson, excelente) que paga seus estudos, e faz com que ele ingresse na força policial e se infiltre. Já Bill (Leonardo DiCaprio, cada vez melhor) é um jovem policial, marcado pela violência e que recebe a ingrata missão de se infiltrar na gangue de Frank. Os dois cresceram no mesmo bairro, trabalham na mesma corporação, mas não se conhecem. E terão que descobrir a identidade um do outro.
E acredite o filme não é tão simples assim, a trama é bem complexa e cheia de reviravoltas, o que o deixa ainda mais interessante e o final é digamos assim surpreendente, irônico. Destaque para a trilha sonora, formada basicamente por grandes nomes do Rock dos anos 70 como Pink Floyd, Rolling Stones, Beach Boys e a desconhecida Dropkick Murphys que mistura guitarras pesadas com instrumentos irlandeses (alusão a origem dos personagens), deixando a trilha ainda mais deliciosa.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Magnífico!


Os pingüins estão na moda, ano passado roubaram a cena na animação Madagascar e o documentário francês A Marcha dos Pingüins, que mostra o ciclo de reprodução e migração dos pingüins imperadores, foi uma das maiores bilheterias de 2005 nos EUA e na França, além de levar o Oscar de melhor documentário, e com Happy Feet não está sendo diferente, a animação ocupa o primeiro lugar nas bilheterias americanas há três semanas consecutivas, desbancando pesos pesados como Cassino Royale, o novo 007.
O filme bebe na fonte de Moulin Rouge, onde músicas de sucesso são interpretadas pelos personagens e já inicia com a canadense K. D. Lang interpretando a bela versão de “Golden Slumbers” dos Beatles mostrando as belas e brancas paisagens do pólo sul e por aí vai, os números musicais são bem variados e músicas de artistas consagrados como: Elvis (Heartbrake Hotel), Queen (Somebody To Love), Prince (Kiss), dentre outros, pois cada um tem sua canção e desde a saída do ovo, é treinado para interpretá-la, menos Mano (Elijah Wood no original e Daniel de Oliveira na versão dublada), que não consegue emitir nenhuma nota, em compensação sapateia como ninguém, gerando preconceito e indiferença da colônia e decepção para os pais Norma (Nicole Kidman) e Menphis (Hugh Jackman), nas suas andanças ele encontra outra colônia de outra espécie, que são menores e não são muito chegados a cantoria, e se envolve com uma divertida gang de pingüins latinos (!) que o mostram que ser diferente não é tão ruim assim. Outro ponto interessante é a mensagem ecológica passada pelo filme e para os pingüins, a espécie humana são alienígenas que poluem e levam embora os peixes.
A animação é de cair o queixo, algumas seqüências não parecem terem sido geradas por computação gráfica de tão próximas a realidade, as cenas de ação são frenéticas e muito tensas, onde os personagens tem que escapar de predadores como focas e orcas, sempre retratados em outros filmes como animais amigos e fofinhos aqui mostram sua face selvagem. O único pecado de Happy Feet é a dublagem brasileira, é incrível como a versão brasileira sempre tem que escalar atores famosos, sempre globais, na maioria das vezes sem nenhum talento para dublagem como o fiasco Sidney Magal, que substitui Robin Willians no original, lamentável.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Fala Sério!


Compreender o público é muito difícil, o Casseta e Planeta lançou em 2003 o ótimo A Taça do Mundo É Nossa, um filme hilário e inteligente, que não tinha relação nenhuma com o programa semanal exibido pela Globo, mas injustamente não foi tão bem nas bilheterias, levando pouco mais de 800 Mil expectadores ao cinema. Tentando reverter à situação, eis que eles lançam esse “Seus Problemas Acabaram”, agora com uma abordagem muito parecida com o programa televisivo e dirigido por Jose Lavigne que dirige o programa há 16 anos, outros recursos para chamar a atenção do público são as pontas rápidas de celebridades como Juliana Paes, Luana Piovani e Marcos Pasquim e a participação dos personagens fixos dos esquetes do programa como Fucker And Sucker, Chicória Maria e o insuportável Seu Creyson dentre muitos outros personagens, mas o filme não funciona, não é engraçado, talvez pelo roteiro fraco ou pelas piadas meia boca repletas de situações chulas, apelativas, beirando a escatologia, em uma delas Bussunda faz sexo com uma tartaruga marinha e noutra um personagem tem um problema com um equipamento tabajara e seu traseiro vira para frente.
A estória gira em torno das Organizações Tabajara, que está sendo processada por um cliente (Bussunda), que comprou um produto chamado Borogodol, que faz com que qualquer homem se torne irresistível aos olhos de uma mulher, mas o produto tem efeitos colaterais terríveis como ser perseguidos por animais no cio, cabe ao advogado idealista Botelho Pinto (Murilo Benício) acusar a empresa e defender os interesses do seu cliente, uma clara sátira a filmes de tribunal, mas o filme não se resume a isso à quantidade de situações e personagens e situações é muito grande, uma verdadeira salada que ao invés de divertir só piora a situação.
Salvam-se ainda que com ressalvas os bons efeitos especiais em algumas cenas e uma meia dúzia ou menos de piadas envolvendo paródias a filmes brasileiros como Cidade de Deus em que imitam até os movimentos de câmera do filme original e Xuxa e Os Duendes, nessa, por exemplo, temos uma Maria Paula vestida de Xuxa em figurino rosa ridículo chicoteando os tais duendes, a cena é rápida, mas é engraçada.
No final das contas, apenas um final lamentável, uma música debochada com o singelo título “O amor é um peido” e muita decepção, os créditos tem algumas piadinhas sem graça, uma homenagem ao saudoso Bussunda e como se não fosse suficiente uma piada pós créditos envolvendo o chato Seu Creyson. Uma bomba, fala sério.

terça-feira, setembro 05, 2006

Um Belo Conto De Fadas



Só pra começar, nesse filme não tem final surpresa, como estamos acostumados a ver nos filmes do diretor de O Sexto Sentido, nem por isso ele é ruim, pelo contrário é um belo conto de fadas, pois foi baseado em uma história inventada pelo diretor para fazer suas filhas dormirem, mas isso não impede que tenha um bom punhado de suspense e tensão e um toque de humor.
A Disney financiadora dos projetos anteriores do cineasta não aceitou filmar este projeto, fazendo com que a lucrativa parceria fosse rompida, daí a Warner Bros. Assumiu o projeto de braços abertos, dando total liberdade ao diretor, mas o tiro saiu pela culatra, pois a crítica bombardeou o filme com críticas negativas e os americanos ignoraram o filme fazendo com que não fosse tão bem nas bilheterias quanto se esperava.
O filme inicia com uma simples, mas interessante animação onde o narrador conta a lenda da amizade entre os homens da superfície e o povo do mar, mas com o passar do tempo à ganância dos homens por terras, afastou-os do litoral e essa amizade foi sendo esquecida, mas o povo do mar ainda persiste e continua mandando seus emissários contatarem os humanos, mas esse contato requer muitos cuidados, pois os perigos são muitos, começando pelos “Scrunts”, uma espécie de lobo feito de grama que caça sem piedade quem se atreve a sair da água.
Em um condomínio somos apresentados a Cleeveland Heep (o excelente Paul Giamanti), o zelador do condomínio que está desconfiado que alguém esteja usando a piscina do prédio após o horário permitido, daí ele encontra uma moça chamada Story (Bryce Dallas Howard, a cega de A Vila) que revela ser uma Narf (ninfa marinha) e explica que tem uma missão a cumprir na terra: encontrar um humano que mora ali e inspira-lo a escrever um livro que mudará a história da humanidade, mas Story corre perigo e sua missão não será nada fácil.
O filme conta com personagens bem construídos e interessantes, como os moradores do condomínio com suas esquisitices e características marcantes, por exemplo temos um crítico de cinema, que segundo boatos foi o motivo da crítica ter avacalhado o filme, um sujeito fechado, sem amigos e sempre de mal com o mundo, ou a senhora coreana que não fala inglês e sua fila que são uma parte fundamental na estória, os latinos barulhentos e um monte de outros tipos.
No fim das contas, não é o melhor filme do diretor, A Vila ainda ocupa esse espaço na minha mente, mas nem por isso de ser divertido.

Incrível como algumas músicas desencadeiam lembranças guardadas bem no fundo do inconsciente. O disco “To The Faithfull Departed” dos Cranbe...